Dois em cada três jovens no país querem abrir o próprio negócio

Dois em cada três jovens brasileiros pretendem abrir seu próprio negócio, segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

E os últimos dados do levantamento do Monitor Global de Empreendedorismo (GEM) confirmam essa tendência. O número de jovens de 18 a 24 anos que estão se tornando empreendedores cresce a cada ano no país. A taxa de empreendedorismo dessa faixa etária passou de 16,2%, em 2014, para 20,8%, em 2015, último dado disponível. O levantamento de 2016 ainda não está fechado, mas, segundo o instituto, deve confirmar essa tendência.

Os motivos estão relacionados à falta de perspectivas no mercado de trabalho em razão da crise e, também, ao aspecto cultural, como o maior acesso à informação, conforme especialistas. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, a taxa de desemprego na faixa de 18 a 24 anos chegou a 25,9% no fim de 2016. “O desemprego em alta contribui para o empreendedorismo de necessidade, mas há também mais jovens predispostos a empreender, que enxergam oportunidade em sua volta”, analisa o gerente do sistema de formação gerencial das escolas do Sebrae, Ricardo Pereira.

A dificuldade de conseguir uma vaga antecipou a vontade de ter o próprio negócio no caso de Wericson Souza, 21. “Eu diria que a crise me ajudou a começar. É isso que eu quero para a minha vida, eu prefiro ser dono do meu próprio negócio”, diz. Ele conta que em 2014 terminou o curso técnico de administração do Sebrae. Durante os três primeiros meses de 2015, enviou currículos, sem conseguir uma colocação no mercado. Assim, aos 19 anos, acabou se tornando Microempreendedor Individual (MEI) no segmento de chocolates, com a Provocatto Cacau.

Para ele, além da crise, o empreendedorismo entre os jovens está crescendo em razão do perfil dessa geração, que é mais imediatista. “Percebo que boa parte dos jovens não gosta de esperar, pois nasceu num mundo onde as coisas acontecem rapidamente”, analisa.

Paulo Victor Almeida Maciel, 25, decidiu no ano passado ter uma franquia da área de alimentação, a Fórmula Pizzaria. “A ideia é que comece a funcionar, no máximo, até junho deste ano”, diz. Antes de optar por uma franquia, Maciel, que é economista, trabalhava com camisetas promocionais, empreendimento que pretende manter. Para ele, a vantagem de começar cedo é ter o tempo a seu favor. “Mesmo numa franquia, que é um modelo já testado, há riscos. Mas, quando se é mais jovem, existe o tempo para recomeçar”, analisa.

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